O SOL DE QUARTA-FEIRA

Isso não é encontro, é duelo

O editorial da Folha na primeira página

A Bolsa e a vida

I see you in september!

Tudo no governo Bolsonaro é menor

Na foto em destaque na primeira página, a abertura das Paralimpíadas em Tóquio

Aras foi pra prorrogação

Nunca se falou tanto em Forças Armadas como nos últimos tempos

Bolsonaro sem máscara não é novidade

Cabul, vista assim do alto, mais parece o inferno no chão

Nasce uma nova revista literária na França

O mundo pode estar acabando que o ex-jornalista e atual “porta-voz” de Bolsonaro, Augusto Nunes, está falando de Lula na Jovem Pan. Era obsessão, agora parece tara.

Queridos Alex e Lucas,

Lá pelos anos 1990, eu vivi num bairro de São Paulo chamado Vila Madalena com a minha então mulher, Viviane, e nosso filho, Luke. No final de nossa rua ficava a Mercearia São Pedro, um armazém que também atendia como um bar de rua. Todo dia, por volta das 11 da manhã, eu passeava com Luke, que tinha dois anos na época, e juntos nós subíamos a ladeira até a Pedro. Eu sentava com Luke em um banco ali perto do bar e comíamos pastéis de queijo, e o proprietário, Pedro, conversava com Luke até os trabalhadores chegarem para o almoço. Nós então nos mudávamos para a varanda externa do bar e sentávamos ao sol. Eu lia e escrevia umas paradas e Luke chupava sua mamadeira ou então um Chupa Chups que Pedro passava pra ele na malandragem. Eu acho que escrevi umas letras durante aqueles tempos, como “The Ship Song” (The Good Son, 1990) e “Papa Won’t Leave you, Henry” (Henry’s Dream, 1992), além de “Foi na Cruz” (The Good Son, 1990), mas principalmente eu fumava e bebia umas cervas e conversava com Luke enquanto ele chupava o Chupa Chups e olhava e ouvia.

Aqueles dias na Mercearia São Pedro foram simples e bons. Eles foram o melhor da vida. Agora, empreendedores estão rasgando o bar para construir uma quadra de apartamentos luxuosos em seu lugar. Eu entendo que é esse o jeito do mundo, as coisas vêm e vão, e sei que nós estamos encarando problemas maiores que a demolição de um pequeno bar em São Paulo, mas, ainda assim, um pedaço da alma da Vila Madalena vai se perder quando eles destroçarem o lugar, e um pedaço de mim também.

Então, digo adeus à Mercearia São Pedro, o melhor bar do mundo, e digo obrigado ao Pedro, pela gentileza que sempre mostrou para com meu garotinho, Luke.

Com amor, Nick

O texto acima é uma resposta de Nick Cave, postada na newsletter The Red Hand Files, do cantor e compositor australiano, às perguntas enviadas por Lucas, de Florianópolis (Brasil) e Alex (de Glasglow, Escócia).

 

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