O SOL DE SEGUNDA-FEIRA 13.09.21

A difícil busca por uma terceira via

Vista assim do alto, mais parece um dia de domingo qualquer na Avenida Paulista

O MBL acredita que Lula e Bolsonaro são farinha do mesmo saco. Daí o fracasso.

João Montanaro na página A2

Coisa rara: a pandemia na manchete principal de um jornal

Na foto em destaque na primeira página, o retrato do fiasco

Resultado da confusão que os caminhoneiros aprontaram no país nos últimos dias

Alguém viu uma terceira via perdida no meio desses gatos pingados?

Mais um basta na capa da Isto É

Vale a pena ver o documentário exibido na noite de ontem pela RV247:

Com 108 anos de idade, a revista semanal de informação britânica muda o seu visual. Na capa, a busca da América pelo domínio mundial.

NOTA 10

Para o repórter Lourival Sant’Anna, da CNN Brasil, que foi à Cabul e mandou de lá, ao vivo, informações sobre o que se passa no país do Talibã

NOTA 10

Para o Fantástico que encontrou, em Cabul, a repórter da Euronews, Anelise Borges, que contou histórias impressionantes do Afeganistão. O nome da repórter da Euronews é coragem e competência.

NOTA 0

Para a TV Globo, que ignora a Fórmula 1, desde que ela se transferiu para a TV Bandeirantes. O GP da Itália, na manhã de ontem, foi uma corrida extraordinária. Os telefespectadores da Globo não viram nada.

Foi uma sala escura instalada no Sesc Fábrica, em São Paulo, que me despertou para esta crônica. A ideia do artista chileno Alfredo Jaar de explicar em texto, em mínimos detalhes, fotografias que não existem, foi tudo.

Herdei dos meus pais, um baú de fotografias em preto e branco que retratam nosso cotidiano nos anos 1950, 60 e 70, principalmente. Depois disso, vieram as fotografias coloridas que hoje, com o passar do tempo, estão mais para a sépia do que para as cores do arco-íris.

A minha ideia era catalogar uma a uma, por data, por assunto. Mas desisti. Achei melhor ficarem ali espalhadas aleatoriamente, criando uma surpresa a cada uma que puxamos lá de dentro.

Mas, como Jaar, fiquei aqui pensando nas fotografias que não tenho.

Minha mãe com uma blusa branca de renda, uma saia preta de brim e alpargatas 7 Vidas nos pés, grávida de mim. Ela, ali de pé no alpendre da nossa casa, recém-inaugurada num bairro ainda com poucas casas e calçada com paralelepípedos bem desenhados.

Junto a ela, minha irmã, com cinco anos, usando um vestido de organdi, sapatos e meias brancas, um laço enorme na cabeça. O meu irmão de dois anos segurando na saia dela e com um dedo na boca, desconfiado que deixaria de ser, em breve, o filho caçulinha.

Joli, um cachorrinho branco, olhando para o lado. O meu pai não o convenceu em olhar para sua Rolleiflex, para o passarinho, na hora do clic.

Imaginei também uma fotografia na boleia de um caminhão de pedras, eu lá em cima, rumo a Salvador, na Bahia, onde o carnaval me esperava. Tênis Bamba surrado nos pés, calça Lee, camiseta branca encardida, manchada de caju, e um boné escrito Jeep na cabeça. Meus cabelos, juba de leão, esvoaçados pelo vento que vinha enquanto o caminhão rasgava a estrada. Segurando firme na carroceria para não cair porque, morto, não iria mais atrás do trio elétrico.

A terceira fotografia que imaginei foi do meu pai se formando em engenheiro geógrafo na Universidade Federal de Minas Gerais. De pé, canudo nas mãos, ele usava um terno dois números acima do seu. Sapatos de bico fino, óculos de aro grosso e os cabelos alinhados pela brilhantina Myurgia.

Pensei em outras fotografias: a minha irmã do meio fazendo bonito num concurso de bambolê, eu de goleiro no campinho de terra da Rua Grão Mogol, meu irmão deitado na cama lendo um livrinho do FBI, Julieta passando roupa, minhas pombas comendo milho no quintal. Minha irmã mais nova ao volante de sua Brasília verde.

Minha vó na janela de sua casa no bairro de Santa Teresa vendo o tempo passar. Meu tio deitado no chão com o corpo coberto de ketchup para impressionar minha tia que ameaçou ir embora. Mateus na porta do Mercado Central segurando um peru vivo na véspera do Natal. Meu primeiro amor sentado na praça Santa Rita me esperando chegar, por exemplo.

[www.cartacapital.com.br]

Onde está o crédito da cartunista Marilia Mars, na edição de sábado da Folha de S.Paulo?

Muito bom o podcast Hora Americana, com o professor do Instituto Federal de São Paulo, Felipe Vieira, sobre a obra de Gabriel García Márquez. Está no Spotify.

 

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