O SOL DE SEGUNDA-FEIRA 29.11.21

Num desgoverno, ninguém se entende

A nova cepa, quem sabe, já não está no Brasil?

Na foto em destaque na primeira página, um retrato do Brasil

Lembra de um candidato prometendo acabar com a burocracia?

O suspeito já existe

Estariam correndo do ômicron?

Resumindo: o governo só agiu depois da ação do Greenpeace mostrada na TV Globo

Resumindo: o governo brasileiro vai defender na OMC o indefensável

Onde está a terceira via?

Resumindo: o campeão da Libertadores e o vice devem deixar os seus clubes

O Fogão volta para a elite do futebol brasileiro

NOTA 10

Para a estreia de Mistura Paulista, uma série de quatro programas na Globo. O programa, muito bem roteirizado, mostra uma São Paulo que poucos conhecem.

A presença de Caetano Veloso e Gal Costa no Altas Horas de sábado passado valeu ficar acordado até tarde. No entanto, o programa que também teve a presença de Galvão Buenos e do jovem humorista e influenciador piauiense Whindersson Nunes, estava muito mal amarrado. As perguntas surgiam do nada, algumas sem nexo (Gal, o que você estava fazendo no dia do AI-5?” ou “Whindersson, o que você queria ser se não fosse humorista?). Caetano disse que queria ser pintor e Serginho não comentou, por exemplo, que foi Caetano quem desenhou a capa do disco Bicho. Talvez com receio de citar o nome, o apresentador disse “quando você cantou no colégio onde estudei…”. Foi Caetano quem deu nome aos bois: “sim, desde o tempo do Equipe”. Gal disse que visitou Caetano e Gil no exílio, e escapou aos telespectadores a informação de que o trio registrou, em Londres, uma versão maravilhosa de País Tropical, de Jorge Benjor, na época, Jorge Ben. Resumindo: as perguntas caíam do céu e sumiam nas nuvens.

Fato inédito e surpreendente foi a corbertura que a Globo deu para a final da Libertadores, jogo que ela não transmitiu porque os direitos eram do SBT. Flashes durante toda a madrugada de domingo, com três repórteres fazendo hora extra: um na Rua Palestra Itália, nos arredores do campo do Palmeiras, outro no aeroporto de Cumbica esperando o avião com os jogadores chegar e um terceiro no Centro Esportivo do verdão, na Barra Funda. Fato raro na Globo que desde que a Fórmula 1 foi pra TV Bandeirantes, ela procura esquecer o assunto Fórmula 1.

Não vou falar do armazém do Seu José, aquele que

a gente ligava e dizia: Alô, Alô! É do Armazém do Seu José? A mamãe pediu para comprar uma lata de biscoitos Aymoré. Não vou falar também do aviso dependurado ao lado da caixa registradora National: Fiado, só amanhã!

Também não vou falar daquelas terríveis maquininhas que passavam o dia nas mãos dos funcionários dos supermercados remarcando os preços.

Vou falar que já me acostumei com esses tempos modernos, dos mil e um aplicativos, do código de barra, da voz eletrônica, do iFood e do Uber Eats.

Dias atrás, quando falei pros meus amigos que ia passar uns dias em Galinhos, no Rio Grande do Norte, eles logo me alertaram: leva dinheiro vivo! Há meses, desde que começou a pandemia, eu não via dinheiro vivo, uma nota de 20, 50 ou 100 reais. Eles contaram que lá em Galinhos, a Internet pega mal e quase ninguém aceita cartão.

Que nada! Os comerciantes de Galinhos, uma cidadezinha quase ilha, lá no norte do Rio Grande do Norte, já aceitam cartões e até o condutor da charrete aceita Pix.

O que não vi lá foi o tal do QR-Code de que tanto falam.

Segundo o Google, o QR-Code é um código de barras tridimensional que pode ser facilmente escaneado usando a maioria dos telefones celulares equipados com câmara. Esse código é convertido em texto, um endereço URI, um número de telefone, uma localização georreferenciada, um e-mail, um contato ou um SMS.

Para mim, trata-se apenas de um quadradinho cheio de labirintos e nada mais.

Na televisão, o QR-Code aparece a toda hora. E o apresentador avisa: basta apontar o seu celular para o QR-Code que está aqui no canto esquerdo da sua tela para obter mais informações.

O QR-Code surgiu de repente e hoje parece mais uma praga, uma nuvem de gafanhotos que se espalha com a maior facilidade pelos quatro cantos do mundo. Menos em Galinhos.

A vida por lá ainda é cheia de plaquinhas indicando onde é a balsa, o banheiro, a casa lotérica, a pousada Villa Galinhos, o Armazém do Seu José. Ou simplesmente Eu Amo Galinhos, vende-se esta casa, temos gelo ou aqui tem coco gelado.

Quem é do tempo em que chamávamos táxi esticando o braço na calçada e gritando táxi!, em que ligávamos para a pizzaria pedindo meia portuguesa e meia calabresa e dizendo vou pagar com dinheiro, do tempo em que pagávamos a conta de luz no banco, em que discávamos o telefone e andávamos com a carteira cheia de notas, passar uns dias sem ver QR-Code foi uma volta ao passado.

Mas tudo acabou de repente, quando desembarcamos no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, e trombamos num totem com um QR-Code imenso e um aviso: aproxime o seu celular para obter todas as informações sobre o funcionamento do aeroporto.

Mas eu queria saber apenas onde era a saída.

Deu no Painel dos Leitores da Folha

 

 

 

 

 

 

 

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