O SOL DE SEGUNDA-FEIRA

A esperança é a última que morre

Os ucranianos estão defendendo o país à unhas e dentes

É carnaval no Rio, mesmo não sendo carnaval

Voltou aquela velha história de apertar o botão

O perigo está no ar, enquanto milhares de alemães saem às ruas de Berlim, contra a guerra

Carnaval em abril é uma espécie de Natal de junho

No meio da guerra, tem uma negociação, tem uma negociação no meio da guerra

De um lado, a negociação, do outro, o armamentismo

O jornal francês Libération veste as cores da Ucrânia

A guerra, de novo, na capa da Time

A guerra de Putin na capa da Der Spiegel

O normal da vida. Molière no nosso imaginário, na capa do tabloide francês Quinzaines.

No quesito Jornalismo, Silvio Santos é uma espécie de besta quadrada. O empresário odeia jornalismo sério e, de Miami, fica brincando com as notícias. Estréia um telejornal e, dias depois, liga da América e manda tirar do ar. Faz isso há anos, sem o menor respeito ao telespectador.

Um soldado russo morto na neve, na primeira página da Folha de S.Paulo de sábado

Na primeira página do Estadão, o medo das crianças no meio da guerra

Uma vitória, na primeira página da Folha de S.Paulo de sábado

Jean Galvão na página A2 da Folha de domingo

A cantora pop erótica na capa da revista do fim de semana do Globo

Pepeu Gomes chega aos 70 anos, na capa d Segundo Caderno do Globo

Eu era muito criança ainda quando ouvia as histórias do golpe do bilhete premiado. Na rodoviária, o sujeito abordava um ilustre passageiro e soltava essa: boa tarde! Eu ganhei 10 milhões na loteria, esse bilhete aqui está premiado, mas como vou pegar o próximo ônibus pra Conceição do Mato Dentro, estou passando ele por qualquer valor, o que o senhor tiver no bolso. E tinha gente que caía.

Ávido por uma graninha a mais, o cara enfiava a mão no bolso e o que ele tivesse ele pagava por um cobiçado bilhete premiado. No dia seguinte ele ia com aquele pedaço de papel pra colocar a mão no dinheiro e ouvia: o seu bilhete é avestruz e deu burro! Enquanto isso, às essas alturas, aquele golpista estava pra lá de Conceição do Mato Dentro.

Na minha juventude, vi na escalada do Repórter Esso, o carioca que, com o pôster da revista Manchete nas mãos, saiu vendendo lotes na lua. Os americanos tinham acabado de colocar os pés e fincado a bandeira por lá, e ele não perdeu tempo.

Desdobrou aquele mapa imenso, todo cheio de informações, e imprimiu uns certificados de propriedade e foi à luta. E teve gente que comprou um lotezinho na lua, sonhando com a casa própria. Ele argumentava que aquilo ia ter uma valorização sem tamanho e muitos caíram feito patinho. Só perceberam o golpe quando viram o golpista algemado no Repórter Esso.

Lembro-me também do golpe da aliança. O sujeito comprava uma aliança banhada a ouro, bijuteria pura, e saia à cata de um menos avisado. Deixava a aliança no chão e quando o pedestre vinha vindo, ele dizia: olha, achamos uma aliança de ouro! Sim, nós dois é que achamos! Vamos ver quanto ela vale. Na esquina, o amigo esperava já com uma lupa no bolso.

Cavalheiro! O senhor sabe onde tem uma joalheria aqui perto? Por quê? Eu sou joalheiro! Que sorte. Queríamos saber quanto vale essa aliança. O outro picareta arrancava a lupa do bolso, analisava, analisava e soltava essa: ouro 18 quilates! Isso vale 1 milhão! Aí o golpista virava pro pobre coitado e dizia: eu não vou ter tempo para vender essa aliança, quanto o senhor tem aí? A vítima enfiava a mão no bolso e tirava um punhado de notas de cruzeiro e dava pro golpista, em troca da aliança. De lata.

Mas, hoje, a tecnologia chegou e os tempos são outros. No Jornal Hoje, não tem um dia sequer que não aparece um golpista sendo preso. É golpe na boca do caixa eletrônico, é golpe do cartão clonado, é golpe do entregador de pizza, é golpe do Tinder, golpe da venda de um laptop a preço de banana, é golpe atrás de golpe.

No golpe do bilhete premiado, do lote na lua e da aliança no chão, ninguém cai mais, mas no golpe digital todo mundo está caindo.

Outro dia um amigo meu comprou um tênis importado pela internet e quando abriu o pacote, tinha um tijolo. Ele está pensando seriamente em começar a construir sua casa própria. 

[www.cartacapital.com.br 

Uma antologia de cronistas exemplares é sempre leitura boa garantida

Gil cantando ao lado de Emicida é tudo de bom

O disco Meu Coco, de Caetano Veloso, ficou na terceira colocação entre os melhores discos de 2021, segundo o jornal Washington Post

 

 

 

 

 

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