A CAPA DE HOJE

Pauta boa, nova e interessante, é ouvir o artista chinês Ai Weiwei sobre o coronavírus que assola o seu país e dar no título: “O antivírus”. Robinson é um suplemento semanal do jornal italiano La Repubblica.

[foto Reprodução]

MACONHA LIVRE!

A edição de fim de semana do jornal francês Le Monde, publica uma extensa reportagem sobre a liberação da cannabis no Uruguai, nosso vizinho. O texto foca no quesito pesquisa e mostra fatos importantes como, por exemplo, dezenas de países do chamado primeiro mundo que mandou pesquisadores ao país de Mujica, para estudar a evolução da planta como medicamento. Um mapa mostra em que países a cannabis está liberado e sendo estudado, tipo de informação que a maioria dos brasileiros, infelizmente não têm.

[fotos Reprodução]

SE ESSA RUA FOSSE MINHA

Nunca me esqueço das aulas de Jornalismo no prédio da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais. Apaixonado pela profissão, desde pequenininho, virei uma espécie de ombudsman de jornais, telejornais, revistas, folhetos de propaganda, outdoors, bulas de remédio. Por pura paixão. Acordo todos os dias com o barulho do porteiro do meu prédio jogando o jornal em cima do capacho, cinco, cinco e pouco da manhã. A primeira coisa do dia que faço é dar uma primeira olhada nos jornais, uns de papel, outros na tela do computador. Dia desses, quando bati os olhos na primeira página da Folha de S.Paulo e vi as fotografias em destaque, lembrei-me logo de um clássico do jornalismo quando ainda não havia carnaval em São Paulo, tempo que assumíamos o apelido dado por Vinícius de Moraes, o túmulo do samba. Os jornais costumavam, fazer um paralelo entre a cidade caótica e a patética. Publicavam duas fotografias, uma do lado da outra, mostrando a Avenida Paulista na hora do rush, num dia útil e, ao lado, a mesma avenida, do mesmo ângulo, sem uma viva alma. Fazia sentindo. Dia desses, duas fotos publicadas pela Folha, lado a lado, mostravam uma rua vazia e outra completamente destruída, acabada pelos temporais. Pensei com os meus botões: Meu Deus, olha como era essa rua em Belo Horizonte e como está hoje. Que nada, a foto da esquerda estava distante mais de 15 mil quilômetros da foto da direita. O jornal mostrou a cidade fantasma de Wuhan, na China, epicentro do coronavírus e, ao lado, era a minha Belo Horizonte arrasada pelos temporais. Voltando às aulas de Jornalismo na UFMG, pensei: O que tem a ver uma rua vazia, com a população com medo de um vírus, asfalto lisinho, com uma rua de Belo em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, destruída pelas águas? Não estavam ali lado a lado por acaso, já que a legenda era uma só. Mais de quatro décadas depois daquelas aulas na Fafich, ainda continua intrigado com o jornalismo. 

[foto Reprodução Folha de S.Paulo]

A MANCHETE DE HOJE

Enlatados, industrializados, poluição, estresse, mundo moderno, agrotóxicos… o número de diagnosticados com câncer aumenta assustadoramente no mundo. Enquanto a televisão diz que o “agro é pop/o agro é tudo”. Manchete principal do jornal Le Monde datado de 05/02/20.

[foto Reprodução]

DIA DE INDÍGENA

A edição de desta terça-feira (4), dedica duas páginas aos nossos indígenas. Uma boa entrevista com Davi Kopenawa, xamã e líder Yanomami, além de um texto sobre a exposição de fotos da tribo, feitas pela competentíssima Claudia Andujar, que acompanha a vida dos yanomamis há décadas. A exposição, em cartaz na Fondation Louis Vuitton, está merecendo elogios em cima de elogios, ganhando inclusive a capa da prestigiosa revista Télérama. Filas diárias são vistas na porta da Fondation para ver a exposição, que já esteve em cartaz por aqui no Instituto Moreira Salles. Veja na foto abaixo.

[fotos Reprodução/Divulgação] 

O SONHO ACABOU

Que sonho? O sonho de ter uma profissão, aquele sonho que desperta na juventude e a pessoa vai em frente. Estuda, fez vestibular, faz estágio, se forma e consegue um emprego. 

A Sandra faz brigadeiros, mas a profissão dela é advogada.

A Eunice faz bolos, mas a profissão dela é jornalista.

O Eduardo é motorista de Uber, mas a profissão dele é professor.

A Madalena faz cestas de café da manhã, mas a profissão dela é farmacêutica.

A televisão nos mostra todos os dias casos assim, como se fossem novos empreendedores, considerados empregados pelas pesquisas do IBGE.

Será que a farmacêutica Madalena descobriu, de repente sua nova profissão, a de fazer cestas de café da manhã?

E o Eduardo? Cansou de dar aulas e sacou que o que gosta mesmo de fazer na vida é viver engarrafado no trânsito de São Paulo?

Mudar de profissão não tem nada de anormal, é muito comum. Mas no Brasil de hoje, o que está acontecendo é que, depois de passar dois anos desempregada, uma jornalista passe a fazer bolos. Depois de cinco anos enviando currículos, a secretária bilingue passe a vender roupas do Paraguai. Fazer bolo é uma profissão, além de prazeiroso. Mas a jornalista, queria mesmo mudar de profissão? Ser comerciante é digno como qualquer profissão, mas será que a secretária bilingue está vendendo roupas do Paraguai porque ama fazer isso, mais do que ser secretária bilingue?

A televisão tenta esconder esse lado e rotulou a todos de novos empreendedores. E assim essas pessoas vão seguindo a vida. Fazendo casinhas de Pet, vendendo capinhas de celular, entregando quentinhas em domicílio, fazendo coxinhas para vender na firma onde trabalhava como auxiliar de almoxarife, fazendo um biquinho aqui, outro ali. 

São brasileiros que trabalham duro, às vezes sete dias por semana. Não têm férias, não tem plano de saúde, vale-refeição, vale-transporte, décimo-terceiro salário, horas-extras, crachá, não pagem INSS,  nada disso. Mas estão contribuindo para que os jornais estampem na manhã seguinte: “Desemprego cai em 2019”.

[foto Internet]  

 

 

HISTÓRIA EM QUADRINHOS

O diário francês Libération é a minha Bíblia. Mesmo sendo um pouco distante daquele jornalzinho preto e branco de 1968, lançado nas ruas de uma Paris em chamas. Aquele jornal que não aceitava publicidade e era uma arma que se juntava às pedras do Boulevard St.Germain contra policiais e um governo conservador. Acompanho desde então o Libé, como sempre foi chamado. Já escrevi crônicas sobre essa paixão, artigos para o Caderno 2 do Estadão e também para a luxuosa revista The President. Não me canso de exaltar esse tabloide. Estou aqui hoje para falar da edição desta quinta-feira, 30 de janeiro, que está nas bancas espalhadas pela França. O meu amor por esse jornal é a sua criatividade. Ele está sempre surpreendendo os seus leitores, como eu. Procura nunca ser o óbvio, encadernado numa fórmula. Quando preciso rompe com o logotipo, rompe com o papel, rompe com qualquer ranço de tradição. Qual é a novidade de hoje? Aproveitando a ocasião do Festival de Quadrinhos de Angoulême, o maior do mundo, a redação entregou a quadrinistas todas as ilustrações do jornal. Nenhuma foto, só quadrinhos, em todas as páginas, ilustrando greves, coronavirus, Trump, Macron, gols, filmes, economia, tudo. Dá gosto acompanhar um jornal que nos surpreende a cada dia, desde 1968. 

[foto Reprodução]

MUDANÇA DE HÁBITO

Jornais brasileiros geralmente resistem em mudar seu lar-out. Quando mudam, surpreendem. Recentemente tivemos dois casos: o do jornal carioca O Dia, que fez uma capa caindo aos pedaços, assim que o Rio começou a despencar, e mais recentemente, o jornal mineiro O Tempo, que seguiu a linha do Dia e fez a sua capa afundando o logotipo num mar de lama. Pena que foram em duas tragédias que os jornais decidiram ousar. Eles precisavam ousar mais, no dia a dia, para surpreender seus leitores. 

[fotos Reprodução]

MULHER DE MALANDRO

Um relatório da Federação Nacional dos Jornalistas(FENAJ) divulgado recentemente, mostrou que o presidente Jair Bolsonaro, em um ano e um mês de mandato, já desmoralizou, xingou, humilhou e chacoteou os jornalistas mais de cem vezes. Tudo isso, praticamente num só lugar: no gradil que cerca o Palácio da Alvorada, onde eles se apertam toda manhã, ao lado de fiéis seguidores do presidente de ultra-direita. Os jornalistas estão fazendo o papel daquela velha história, hoje quase proibida, da mulher de malandro. Que apanha, apanha, apanha do marido mas não o larga. Quando Bolsonaro disse que jornalista é uma raça em extinção, que jornalista mente, quando respondeu a um dizendo “é a sua mãe”, a outro que “você tem uma cara terrivelmente de gay”, era para os jornalistas ali presentes terem dado um basta e voltado para as redações, deixado aquele gradil para sempre. Mas não. Eles insistem. Mesmo com o presidente fazendo chacota dizendo que não ia mais dar entrevistas a eles ali, os funcionários da imprensa voltaram no dia seguinte, como carneirinhos. Todos sabem que aquela participação matinal do presidente ali é uma jogada de marketing. A bobagem que ele fala logo cedo repercute durante todo o dia. Se eles não aparecessem mais ali na porta do Alvorada, em protesto, aquele pitstop do presidente não duraria mais que uma semana. Mas ai, pobres jornalistas que cobrem o presidente, ficariam sem pauta. Vale lembrar aquele protestos dos repórteres fotográficos, no início do anos 1980, quando colocaram as suas máquinas no chão e não fotografaram o presidente João Figueiredo, o último presidente da ditadura militar, em protesto contra as agressões do presidente. O combinado é que apenas um registrasse a foto para a história. Parece que os jornalistas tinham mais peito na ditadura do que agora, nessa coisa que ninguém explica o que é. 

[fotos Internet]

250 ANOS

As revistas e jornais europeus estão saudando com grandes festividades os 250 anos de nascimento de Ludwig Van Beethoven. Aqui, El Viajero, o suplemento de viagem do jornal espanhol El País, que faz um circuito Beethoven por Viena, sua cidade natal.

[foto Reprodução]

FOFOCALIZANDO

Londres sempre foi uma cidade muito chique. Muito mais que Paris. O chá das cinco, os ovos com bacon, o táxi preto, o ônibus vermelho, a cabine telefônica. Reis e rainhas, os Beatles e os Rolling Stones. Londres é Londres, com seu fog, sua chuvinha fina, seus verdes lindos gramados campos de lá. Londres tem a Harrold’s, a Saint Martin Shoes, as cerejas vistosas, os luminosos de Picadilly Circus, a Economist. Mesmo quando os punks invadiram a cidade, esfarrapados, espetados, rasgados, Londres foi sempre Londres. Mas lá tem também uma porção Datena, uma porção Venenosa, fofocalizando. Estou falando dos trabloides sensacionalistas que invadem aos milhões as lojinhas de jornais, já que Londres não tem bancas. É o lado esquisito de uma cidade tão aristocrata.  Os ingleses compram os jornais na boca do metrô e, no ponto final, ele vai pro lixo. Sempre foi assim. Londres é uma pessoa que usa black-tie e, um dia, resolve vestir uma bermuda surrada, uma camiseta puída, um chinelo Rider. Quem explica o sucesso dos tabloides no país da Radio Times, da Wild Life, da Face?

[foto EPA]

OLHA O PASSARINHO!

Bombardeado por notícias que chegam 24 horas de todos os lados, o leitor às vezes cansa. E pede uma leitura apenas leitura, nova e interessante. Quando alguns jornais percebem isso, acertam na mosca. O Le Monde, por exemplo, em sua última edição, publicou uma matéria de página inteira revelando que cinco novas espécies de pássaros foram identificadas na Indonésia. O editor-chefe convencional deixaria a notícia de lado ou simplesmente registraria tal novidade em uma nota curta. “Indonésia? Pássaros? Onde está o gancho?”, perguntaria ele. O editores do Monde estão procurando, cada vez mais, esse tipo de notícia. Aquela que dá ao leitor o prazer da leitura. Com um texto bem costurado, quase literário, acabamos  apaixonados pelo passarinho vermelho de Taliabu, aquele que ninguém tinha percebido nesse Planeta tão judiado e destruído.

[fotos Reprodução] 

VIRE À DIREITA

Em Hong Kong, os guarda-chuvas viraram símbolo das manifestações. No Chile, foi um olho fechado e, no Brasil, todos lembram, a camisa da seleção brasileira, além de um pato amarelo. Manifestações de esquerda, no caso do Chile, e de direita, no caso do Brasil. Na França, foram as patinetes que transformaram-se em símbolo dos direitistas. O suplemento L’Époque, do jornal Le Monde, publica uma curiosa matéria de capa em que pergunta: “A patinete é de direita?” Se não é, ficou com o estigma. Como no Brasil. Uma pessoa que veste uma camisa amarela canarinho e sai por aí, dificilmente é de esquerda.

[foto Reprodução]

UMA PROVA PARA A CRISE

Numa reportagem de página inteira, a edição de fim de semana do jornal francês Le Monde mostrou nossa realidade: Um país apático diante de um desmonte, o preço da carne nas alturas, que está fazendo muita gente comer ovo e os economistas apostando suas fichas no “agora vai!” Dois mil e vinte é uma incógnita. Se a economia levantar voo, a nave continua indo. Se der água, o risco de uma convulsão é provável. O jornal ilustra a reportagem com um jovem enfrentando a polícia de São Paulo, num protesto contra o aumento da passagem do ônibus que passou de 4,30 para 4,40. Uma notícia da semana passada que  foi praticamente ignorada por nossos jornais nacionais.

[foto Reprodução]

NOVIDADE

Mesmo ainda muito fiel ao jornalismo impresso, os franceses acabam de ganhar um jornal diário de esportes online. Sem edição impressa, o MinuitSport tem contado diariamente, em edições atualizadas, tudo que se passa em campo. Se vai colar, ainda não sabemos. O francês – que tem várias publicações de esporte – ainda gosta de frequentar uma banca de jornal.

[foto Reprodução]

QUE BICHO SOMOS NÓS?

Muito antes de vencer as eleições presidenciais de 2018, o capitão Jair Bolsonaro já havia deixado bem claro o ódio que tem de jornalistas, na verdade, de qualquer coisa escrita. Quem não se lembra dele com um celular nas mãos no jardim do seu condomínio na Barra, gritando para os seus fanáticos seguidores na Avenida Paulista que queria “um Brasil sem Folha de S.Paulo?” Nesse um ano e pouquinho de governo, o capitão só pisou em jornalistas e em seus produtos. Numa madrugada, já foi pra frente das câmeras do outro lado do mundo para, irado, dizer inúmeras vezes que os jornalistas da Globo eram canalhas. “Canalhas!”, gritava ele com gosto. Globo e Folha são os seus alvos preferidos e os dois, respondem – quando respondem – pisando em ovos, educadamente, ao invés de entrar com um processo. Bolsonaro é caso de Justiça, ou melhor, de polícia. Ontem, mais uma vez, voltou ao ataque, ao dizer que “jornalista é uma espécie em extinção e quem deveria cuidar deles é o Ibama”. Simplificando: chamou os jornalistas de animais e a edição da Folha desta terça-feira (7) informa apenas que ele nos chamou de animais. Assim, bonitinho. O capitão que prefere gravuras em livros ao invés de palavras, parece estar com a corda toda. Sabe que tem nas mãos uma polpuda verba de publicidade e que os jornais precisam dela. Age como o dono da bola. “Se vocês não se comportarem, não tem jogo”. Está na hora de virar esse jogo, não acham?

[foto Reprodução Internet]

O PAPEL DO JORNAL

Um amigo meu costumava brincar, dizendo que a decadência do Jornalismo começou quando uma lei proibiu os feirantes de embrulhar o peixe em jornal. A lei pegou e não vemos mais feirante embrulhar nem mesmo banana em jornal. O plástico tomou conta do mercado, contribuindo para o fim do nosso Planeta, mas pelo que vimos, a maioria dos que aqui habitam estão se lixando. Aquele velho jornal que, depois de lido, ia parar na área de serviço com o destino de receber as necessidades dos cães e gatos da casa, agora são comprados à quilo, muitos deles virgens de leitura, nas lojas de conveniência que ainda são chamadas de bancas de jornal. Outro dia, um pintor de paredes me disse que, agora, ele próprio era obrigado a comprar “jornal de pet” nas bancas porque casa nenhuma mais tem jornal velho pra forrar o chão da sala na hora da parede receber uma mão de Suivinil. Aqueles antigos compradores de jornal velho que passavam de porta também mudaram de ramo. Hoje buscam papelões, garrafas de plástico e latinhas pra reciclagem. Se dependessem do jornal velho, estariam passando mais dificuldade que já passam. Começamos 2020 sem saber como os jornais chegarão ao final dele. Na Itália, por exemplo, existe o outro lado da moeda. O jornal La Repubblica, por exemplo, vem reagindo numa tentativa de não perder leitores, mas também de ganhar novos. O jornal italiano, todo dia tem um grande suplemento, um em cada dia: Economia, Saúde, Comportamento, Cultura, Design, Automóvel, sem contar a revista de sexta-feira que raramente tem menos de 200 páginas. E nos fins de semana, o leitor ainda recebe a revista de informação L’Espresso, uma das melhores do país. Por aqui, nadamos no sentido contrário. Os jornais cortam pessoal, acabam com suplementos, eliminam revistas, diminuem o número de páginas e, nos feriados, costumam encolher ainda mais, juntando um caderno no outro, transformando um suplemento em apenas uma página. A verdade é que a nova geração não lê mais jornal de papel, ele não faz mais parte do seu cotidiano. Recentemente, a Folha de S.Paulo publicou um  gráfico mostrando a circulação do jornal. 

Os números tentam justificar a queda de 264,4 mil exemplares para 85,9, mostrando que a edição online pulou de 38,9 para 234,9 mil exemplares. Mas não mostra que, nesse ritmo, o jornal de papel corre o risco de morrer, se não nesse 2020, o mais tardar no ano seguinte. É claro que uma grande revolução aconteceu nessas últimas décadas. O mundo é outro, onde as pessoas são bombardeadas de notícias e números desde o momento em que acordam até quando colocam novamente a cabeça no travesseiro pra dormir, sempre online. Não tem mais volta, não adianta chorar o leite derramado. Mas também não resolve os nossos jornais adotarem a política do avestruz, fingindo que em volta está tudo bem. Os jornais de papel vão morrer. A dúvida é se será neste ano, no próximo ou no outro.

[fotos Reprodução

DEZEMBRO 2020

De uns tempos pra cá, fala-se muito no fim do jornal de papel. Neste final de ano, um ano tenebroso, voltamos a perguntar: Ainda teremos jornal de papel em dezembro de 2020? É uma incógnita. Do jeito que eles vão emagrecendo, do jeito que eles vão esvaziando as redações, eliminando suplementos, fica difícil. Difícil imaginar que vão chegar ao final do ano que vem, firmes e forte. Podem até chegar, aos frangalhos, se não souberem sacudir, levantar a poeira e dar a volta por cima. Por outro lado, esta semana, o jornal francês Le Monde completou 75 anos de vida e anunciou a seus leitores que a partir de primeiro de janeiro estará na nova sede, numa área nobre de Paris. O Le Monde, apesar de todo progresso online, cresce também no papel e em conteúdo. Parece que querem entrar nesse novo mundo mantendo uma tradição antiga que é ler jornal em papel. Não vejo sinais de preguiça, desânimo ou medo nas páginas do Monde. E aqui? O que vamos fazer, como vamos reagir? Ninguém sabe. Só os 365 dias de 2020 dirão. 

OITO OU OITENTA

A cultura é tratada nos produtos Globo como se fosse oito ou oitenta. Quem bateu os olhos na edição desta terça-feira (17) do jornal O Globo deve ter se surpreendido com o espaço dado pelo jornal carioca à recuperação do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, depois da sua destruição por um incêndio, em 2015. Além da chamada na primeira página, a reinauguração do museu, programada para junho do ano que vem, ganhou a capa do Segundo Caderno. Ao ler, você descobre que tem a participação da Fundação Roberto Marinho na jogada. Até aí, tudo bem. Sabemos que a organização tem papel fundamental em recuperações de monumentos históricos pelo país afora. O que chamamos aqui é o tratamento dado à cultura em nosso país pelas organizações Globo.. Seguramente, a reinauguração em junho de 2020 vai ganhar uma cobertura exaustiva dos produtos Globo. Teremos notícias no jornal local, em todos os telejornais da casa, além dos programas da Annamaria Braga, da Fátima Bernardes, do Pedro Bial, do Serginho Groismann. Na Globo, a Cultura funciona assim: Oitenta para eventos da casa, oito para o resto. Quando não é zero para os outros. No jargão jornalístico, chamamos isso de “matéria rec”, traduzindo, “matéria recomendada, obrigatória, da casa”. Não deveria ser assim. Eventos importantes em nosso país, muitas vezes passam em branco nos telejornais, jornais e programas da casa. Simplesmente porque não são matérias “rec”.

[foto Reprodução]