O SOL DE TERÇA-FEIRA

A síndrome do Valor Econômico toma conta da Folha

Um dia de protestos no Qatar

Um minuto de silêncio dos iranianos

A tragédia na Indonésia

Não é do peru?

A síndrome do Valor Econômico também em O Globo

Palco de protestos

Richarlison não gostou do Bild chamar Neymar de babaca

Grandes Notícias Pequenas Chamadas

Raspando o tacho

Alternativas tucanas

A capa da New Yorker esta semana é de Birgit Schössow

Na Folha

O SOL DE DOMINGO

Juro que tinha gente pensando em abandonar o barco, ou melhor, pegar aquele velho navio, quiçá o primeiro avião com destino a felicidade. Tinha gente também pensando em se instalar na República Socialista do Nordeste Brasileiro. Qualquer Estado a partir da Bahia estava de bom tamanho.

Mas todos ficaram!

Ficaram para assistir um espetáculo péssimo, produção pífia, com atores de quinta categoria, aqueles que apresentam suas peças em frente aos quartéis. Nada mais patético do que ouvir uma senhorinha gritando: eu não quero que isso aqui vire a Venezuela! Ou um grupelho (grupo + pentelho) ecoando o Hino Nacional fora do tom, sem melodia, vocês não estão entendendo nada!

Ficaram para ver o sumiço do presidente da República, este sim, abandonou o barco.

Ficaram para chorar a partida de Gal Costa, tão repentina. Setenta e sete anos, nesses tempos modernos, não é idade para morrer. Ficaram aqui para ouvir Negro Amor, numa mistura de Dylan com Caetano:

Seus marinheiros mareadosAbandonam o marSeus guerreiros desarmadosNão vão mais lutar

Ficaram para chorar também a morte do Senhor Brasil e os seus casos caipiras de verdade.

Ficaram para admirar a lista de excelência feita pelo grupo de trabalho de Lula para a transição. Pensar que já tivemos Damares, Salles, Olavo de Carvalho, Pazuello, Weintraube, Braga Neto, Onix, isto não é grupo de trabalho, é trem fantasma.

Ficaram para ver Lula chorar ao falar da fome, fome que ele certamente já passou.

Ficaram para ver os filhotes de Bolsonaro no Consulado da Itália entrando com pedido de cidadania. Quem quer essas trolhas por lá? Talvez a Meloni, talvez!

Ficaram para completar o álbum de figurinhas da Copa, para fazer as contas se leva ou não um pacotinho de nêspera por 19.99 nos peg-pags da vida.

Ficaram para abrir os braços e fazer um país!

Os dias foram passando, uns após os outros, formando semanas, meses, dois anos. Eu não colocava os pés no hall do meu apartamento. Nem mesmo o lixo diário era eu quem levava para um compartimento, no mesmo andar.

Tinha medo de abrir a janela, respirar fundo.

Os dias foram passando e eu enfurnado dentro de casa, usando praticamente três conjuntos de moletom, um azul marinho, um cinza e outro preto. Enquanto um lavava, o outro secava e o terceiro estava no corpo.

Lavava as mãos mais ou menos umas trinta vezes por dia, bem lavadas com Protex, depois álcool gel. Esfregava nos braços e nos antebraços. Depois anda esfregava as mãos molhadas no rosto.

Lavava as frutas e legumes um a um, com água e sabão, depois de deixar 20 minutos de molho na água com algumas tampinhas de água sanitária.

Não usava a mesma máscara duas vezes. Uma de manhã, uma de tarde e uma de noite. Depois, eram embrulhadas em sacos de plástico e iam para o lixo, quase hospitalar.

Portas, janelas, fechaduras, puxadores, acendedores, eram borrifados com Lysoforme diariamente.

Os pacotes que chegavam do iFood e do Mercado Livre passavam pelo spray de álcool como se estivessem num lava-jato.

A gente não enxergava a bactéria, mas ela parecia estar no ar, voando sorrateira pronta para pousar no nosso nariz.

Quantas vezes não me senti febril, com falta de ar, sem paladar, sem olfato, puro delírio psicológico. Media a febre duas vezes por dia.

A televisão ficava o dia inteiro ligada na GloboNews. O giro pelo Brasil nos fazia crer que ninguém tinha escapado do pesadelo, daquela agonia.

Sonhava com a Cidade Ho Chi Min, o único lugar no mundo que ainda não tinha registrado nenhum caso.

De noite, o Alan Severiano aparecia no Jornal Nacional para dar os números da tragédia, que assustavam.

346 mortos em 24 horas!

Alguns amigos estavam entubados, uns  isolados em UTIs de campanha, outros mortos.

A fotografia de covas abertas esperando corpos na primeira página do jornal, quase me fez desistir de pagar o boleto da Folha de S.Paulo.

Os bares fechados, os restaurantes, os bufês infantis, os escritórios, as lojas, as escolas, tudo fechado deixava a cidade mais silenciosa e sem engarrafamento.

Os ônibus passavam vazios e o barulho de ambulâncias era quase que permanente, aqui no meu apartamento, bem em frente ao Hospital Sorocabana.

Começamos a pedir tudo por delivery. O supermercado, os remédios, os temperos do mercado, as esfirras da Paola, o frango desossado do Cacilda, o hambúrguer do Criminal.

Não tinha teatro, não tinha cinema, não tinha futebol, não tinha exposição.

Tinha um ministro da Saúde atrás do outro, tinha presidente da República dando Requinol pra ema, tinha ministro passando a boiada, tinha gente sem ar em Manaus, tinha CPI com altos índices de audiência no ar, tinha Paulo Gustavo morto.

Não tínhamos governo.

 

 

O SOL DE SEXTA-FEIRA

Promessa de campanha é promessa de campanha

O picolé de Chuchu virou estrela

Os golpistas estão sumindo na poeira da estrada

Uma menina de ouro

O bom e velho Jaguar na página A2

Os Alckimistas estão chegando!

Rumo ao Planalto

Le Monde diz que bolsonaristas querem a volta do regime militar

Lemos na Folha

A mensagem quase se escondeu na sombra. Quase, porque um raio de sol, enfim, aqueceu a manhã e revelou seis palavras de letras graúdas naquele muro áspero da zona sul de São Paulo.

Leio e releio a pichação em tinta preta.

SÓ QUERO NOSSA AMIZADE DE VOLTA.

O arrependimento pode ser consequência de fofoca, talvez briga. Ou ainda ciúme, inveja. Mas o que é uma frustração diante da amizade? Amigo ou amiga não é o que sabe perdoar?

Leio mais uma vez, agora palavra por palavra.

Adoro o SÓ, que aqui quer dizer tudo. É a amizade e nada mais o que se pede.

QUERO é verbo forte. Querer é poder, dizem.

NOSSA significa de nós dois; fala-se aqui da união entre duas pessoas.

AMIZADE é o motivo de tudo.

Chegamos ao DE VOLTA. É como se dissesse com saudade “como nos bons tempos”. DE VOLTA também evoca a memória da relação. Viagens, aventuras; também segredos, pactos; alegria, tristeza. Quantas experiências de vida uma amizade não acolhe?

Releio o desabafo que desperta atenção no concreto, pelo menos até a próxima mão de tinta. Autor ou autora, jovem ou adulto, ou, por que não, um idoso pichador, assombrado com a chance de um afeto de tantos anos terminar de repente.

Afinal, o que tem força para arruinar uma amizade, pergunto aos meus botões e à parede daquele condomínio?

Minha aposta é a política.

Eleição, nesses tempos em que sobrevivemos, em vez de conquista virou conflito e afastou quem sempre viveu lado a lado. O adversário da discussão passou a ser inimigo. Pensar diferente virou falta grave. Cartão vermelho. Cancelamento.

Especulo um pouco mais, ainda contaminado com o que tantas vezes ouvi entre eleitores enfurecidos: “Você vota em fascista”; “Pior você, que quer eleger um ladrão”. Pai contra filho, sobrinha versus tia, novos ex-amigos.

O alerta está lá pintado em lágrimas de tinta:

SÓ QUERO NOSSA AMIZADE DE VOLTA.

A frase persiste em minha mente como o spray de cor preta entranhado no muro.

Meu devaneio sobre a política como semente de ódio, veneno e outras mazelas provoca o desejo de bulir nos labirintos da amizade.

Estou diante do desafio de escrever uma dedicatória para um amigo. É amigo novo, na verdade, irmão de um grande amigo que virou meu amigo.  Quero ressaltar esses laços e para não repetir “amigo” (só nesse parágrafo foram cinco) peço ajuda ao dicionário.

Lá estão os sinônimos: parceiro, aliado, leal, fiel. Sinto muito, nada disso quer dizer amigo. Amigo de verdade não cai na vala rasa de parceria ou aliança, é muito mais. Diante do amigo, até irmão amado pode ficar devendo.

A MPB nos orgulha entre outras com Meu Caro Amigo, de Chico e Francis, Amigo é pra Essas Coisas, de Aldir Blanc e Silvio da Silva Jr, Amigo, aquele de fé, o irmão camarada, dos reis, Roberto e Erasmo.

Elton Medeiros, espada na música e na vida, não transformava parceiros em amigos, era o contrário: apenas amigos podiam virar parceiros. O sambista da Portela só se apresentou para compor, por exemplo, com Cartola ou Paulinho da Viola, depois que já era íntimo. O mesmo com Antônio Valente e Carlinhos Vergueiro.

No disco em homenagem aos setenta e cinco anos do cantor e compositor está escrito: “Ninguém é parceiro de Elton por acaso. É preciso muita conversa, muito tempo de casa. Parceria para ele é casamento.” Quem assina é Maria Lúcia, possivelmente uma amiga.

Mesmo sem a sabedoria do mestre, a gente logo percebe um futuro amigo, que pode brotar no trabalho, no ônibus, na academia. Presente da vida.

Claudionor, morador aqui do bairro, é desses. Atento para escutar, interessado em perguntar, não cansa da conversa. Já me revelou que quando um amigo pede, atende, mesmo que diga não ao resto do mundo.

No lançamento do livro do sobrinho de um amigo, Claudionor enfrentou chuva, fila, gastou sessenta reais e já sabe: terá que ler e, de preferência, elogiar. Pode parecer chato e cansativo, não pro Claudionor.

Ele me conta que Percival, tio do escritor, é amigo há sessenta e cinco anos. Ficaram décadas afastados, mas a amizade resistiu.

Molecotes, eram vizinhos de vila, um na casa 3, outro na 11. A dupla estudava na mesma sala de aula e jogava no mesmo time. Percival no ataque, já Claudionor, apesar de dono da bola, só tinha vaga como goleiro. Chegaram a dividir a última bala Juquinha num recreio chuvoso. De tão pura, a amizade uniu também as famílias.

Na noite de autógrafos, Ester, a irmã de Percival, disse somente pra puxar assunto.

– E o Lúcio, onde anda?

Lúcio, um menino arrojado. Tirava as meninas pra dançar, arrasava na ponta direita e fazia pipas que empinava com linha cortante, o cerol.

Claro, o Lúcio, aquele de cabelo cacheado, logo Claudionor lembrou visitando a infância.

Lúcio também era amigo de Percival. Quando Claudionor se despediu do Jaçanã, os dois se aproximaram ainda mais. Chegava a adolescência, época de amizades eternas.

Ester só desejava espantar o silêncio, mas a recordação de Lúcio quase engoliu a voz de Percival.

– O que foi? Perguntaram assustados, Claudionor e Ester.

– Ah, o Lúcio. O mais inteligente, o mais divertido. Na briga me defendia, na prova me dava cola, até dinheiro me emprestou. Puxa, nunca mais soube dele. Lúcio, o melhor amigo de minha vida. Não tinha pra ninguém. Percival segurou o choro, bebeu água, mas a tragédia estava feita.

Claudionor saiu de fininho e arrasado. Raiva e ciúme ardiam no peito.

Ainda machucado, ele desabafa com a serenidade de um marido manso, lá no boteco que frequentamos.

– O sambista – o tal do Elton – não dizia que amizade era casamento? Pois é, meu primeiro casório foi com Percival. Nunca imaginei que ele pudesse preferir o Lúcio e jamais admiti alguém no lugar dele.

Claudionor ajeita os poucos cabelos, chama uma cerveja e me olha fundo.

– Sabe, mesmo ferido eu perdoo o Percival. Juro, por ele até minto. Aliás, nessa noite de insônia eu decidi: vou fazer vista grossa para a traição e chamar o Percival pra uma pizza, sabe por quê?

– Por quê?

– Eu também adorava o Lúcio. O Lúcio fez tudo primeiro: namorou, discutiu com os pais, fumou e provou Rabo de Galo com 13 anos. Atrevido, rebelde, cabeludo, o Lúcio era da pá virada.

*Dedico essa crônica a um amigo que prefere ser chamado apenas pela letra J, mas por extenso. O Jota, autor da foto que ilustra a crônica, também é da pá virada.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

O programa Pingos nos Is, da Jovem Pan News, entrevistou a deputada Carla Zambelli, nos Estados Unidos, durante quase uma hora. Os entrevistadores esqueceram de perguntar sobre aquele fiasco em São Paulo, ela com a arma na mão correndo pelas ruas e ameaçando um jornalista negro que, segundo ela, a ofendeu. Que jornalismo é esse?

 

 

O SOL DE QUARTA-FEIRA

Um discurso assustado, encabulado e que durou dois minutos

Quando o púlpito vira notícia

Não vai ter golpe!

Leandro Assis e Triscila Oliveira na página A2

Graças a Deus!

Não convidaram Bolsonaro pra festa

A pistoleira fora das redes

Querida, encolhemos o cartunista!

Canção da despedida

 

Lemos na Folha

Enquanto isso, numa feirinha de antiguidades em Lisboa…

Página inteira na Folha

Escapou do SOL a capa do Meia Hora de ontem

 

 

O SOL DE TERÇA-FEIRA

Os tiros acabaram acertando a campanha de Bolsonaro

Vamos ouvir muito falar de Sunak

Na primeira página, um conservador entra em cena

Bolsonaro vê na TV, uma vídeo cassetada, literalmente

Dos votos válidos, 54 a 46

Uma estabilidade impressionante

Roberto Jefferson, agora nas páginas policiais

Um novo premier inglês, com molho indiano

Grandes assuntos, pequenas manchetes

Merecido!

Mais uma trapalhada do governo Bolsonaro

Adeus às Armas!

Silviano Santiago, Prêmio Camões, ganhou a capa do C2

As semanais italianas e a incerteza da extrema-direita no poder

A capa desta semana é de Sergio García Sánchez

Neymar, apoiador do Bolsonaro, está na capa da Esquire italiana de novembro

Uma bela revista italiana de fotografia

Resumindo: Apoiador de Bolsonaro fere policiais durante sua prisão

Todas essas manchetes estão na edição de hoje da Folha de S.Paulo

Na Folha

 

 

O SOL DE TERÇA-FEIRA

Tiros em Foz do Iguaçu podem mudar o rumo da História

Sim, perdemos um ano de vida

Será que o brasileiro chegou no fundo do poço?

Gente! Ninguém nem se lembra mais de Pedro Guimarães…

SP em chamas!

Benett, na página A2, sempre acertando na mosca

Vale-tudo!

A cerimônia do adeus

O nome dele é Guivanni Qintella Bezerra

Quase ninguém está gostando do presidente americano

No alto da  página, o Estadão foi o único dos grandes jornais brasileiros a publicar a foto do infinito na primeira página. Bravo!

Uma espécie de golpe. Vão dizer que o resultado não é o divulgado pelo TSE.

O Le Monde publica uma revista especial sobe a emancipação da Ucrânia

Com novos apresentadores – Maria Beltrão, Talitha Morete, Rita Batista e o ótimo Thiago Oliveira – o É de Casa de sábado passado deu 6.2 pontos no Ibope. Não mudou nada.

Postagem da delegada Iane Cardoso, aquela que começou a investigar a morte do petista em Foz do Iguaçu, e foi afastada

Vimos na Folha

O documentário Em Casa com os Gil é um colírio para os olhos. Vale a pena parar tudo para ver. No Amazon Prime.

A Nova Ordem vai mesmo colapsar? Em agosto, nas livrarias, o novo livro de Bernardo Kucinski

Uma revista da direita da direita da direita tenta fazer a cabeça do gado

Pela Estrada Afora, ilustração de Ser Agresti, para a New Yorker

 

 

 

O SOL DE TERÇA-FEIRA

Desesperado, Bolsonaro quer baixar o preço da gasolina no grito

As provas do assassinato de Bruno e Dom são as mais tristes possíveis

A favela busca soluções que o governo ignora

Deu na coluna da Mônica Bergamo

Benett na página A2

Quem será o próximo a assumir e depois cair?

Vontade de mandar este governo à merda, não é mesmo?

Começam os preparativos para a contagem dos brasileiros

Triste o país em que quem defende os índios corre risco de ser assassinado

A praga do estupro aumenta, ao invés de ser eliminada

Tchau, querido!

Terra sem lei

Vamos torcer para Petro!