PRONTO, ACABOU!

Uma semana por aqui e ainda não vi ninguém, sequer uma pessoa, uma pessoa só, lendo um jornal. Jornal de papel, com manchetes, fotos, chamadas, suplementos. Em uma banca na Ponta Negra, entrei e fiquei observando. Ali tinha Coca-Cola, Fanta Laranja, água Ster Bom sem gás ou com gás, Gatorade, gelo. Tinha chocolate, chicletes, Halls, picolés de graviola, umbu, cajá, caju e salgadinhos industrializados. Vi a Piauí, a Veja, a Carta Capital, a Autoesporte, algumas revistas para colorir  e um pilha pequena, uns dez jornais Tribuna do Norte, aquele jornal que o Henfil colaborava quando morou aqui nos anos 1970, isso já contei quando cheguei a Natal. A edição é magrinha magrinha, lembra um jornal de qualquer cidade do interior, o Cataguases, por exemplo. Folheei rapidamente, tinha muito pouca coisa para ler, quase nada. Não tinha caderno de cultura, o que achei muito estranho. Sei que o atual governo está fazendo de tudo para acabar com a nossa cultura, mas ver que não tinha caderno de cultura na Tribuna do Norte, foi muito triste. Não me iludo. O jornal de papel está em plena extinção. Ninguém mais compra, ninguém mais lê. Saudade daqueles domingos em que a gente comprava o jornal no final da tarde de sábado, pesando mais de quilo. Ia lendo e jogando os cadernos pro lado, até cochilar, depois daquela macarronada, daquele arroz de forno, daquele frango assado, daquela maionese, daquela cervejinha gelada. Esse mundo acabou. As notícias agora estão apenas aqui, no computador ou no celular. Você nem fica sabendo se as pessoas leram as notícias ou não. Não adianta chorar. 

texto/foto Alberto Villas